Dor no ombro à noite: possíveis razões que muitas pessoas ignoram

O desconforto no ombro durante a noite é mais comum do que se imagina, mas não deve ser ignorado. Muitas pessoas se deitam sem problemas e acabam acordando no meio da madrugada com dor intensa, ardor ou dificuldade de apoiar um dos lados do corpo. Embora seja tentador minimizar esses sinais, a dor noturna no ombro pode indicar inflamações ou lesões que precisam de atenção.

O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano, o que garante grande amplitude de movimentos, mas também aumenta sua vulnerabilidade. Durante o dia, a movimentação constante ajuda a reduzir a percepção da dor. À noite, porém, com o corpo em repouso e, muitas vezes, sustentando peso ao dormir de lado, os processos inflamatórios tendem a se intensificar, tornando a dor mais evidente e persistente.

Ignorar o desconforto prolongadamente pode agravar a situação, tornando o tratamento mais longo e complexo. Quanto antes o problema for identificado, maiores são as chances de recuperação completa e de evitar complicações futuras.

Principais causas da dor no ombro ao dormir

1. Síndrome do impacto do manguito rotador
O manguito rotador é formado por músculos e tendões que estabilizam o ombro. Com envelhecimento, movimentos repetitivos ou postura inadequada, o espaço por onde esses tendões passam pode se reduzir, causando compressão. A dor costuma ser leve durante o dia, mas aumenta à noite, especialmente ao apoiar o ombro afetado. Rigidez matinal e dificuldade para levantar o braço são sinais comuns.

2. Tendinite calcificada
Depósitos de cálcio nos tendões irritam os tecidos, provocando dor súbita, principalmente em repouso noturno. Esse quadro é mais frequente em adultos entre 40 e 60 anos e pode surgir sem histórico de lesão. Exames de imagem ajudam a confirmar o diagnóstico.

3. Bursite subacromial por má postura
A bursa, pequena bolsa com líquido que reduz atrito no ombro, pode inflamar devido a posturas prolongadas, especialmente diante de telas. Dormir de lado comprime essa região, intensificando a dor e o desconforto ao movimentar o braço.

4. Compressão do nervo supraescapular
A compressão desse nervo provoca dor profunda e queimação, difícil de localizar. O desconforto tende a piorar à noite, aliviando levemente com o movimento.

5. Capsulite adesiva (ombro congelado)
Inflamação progressiva da cápsula do ombro, que leva à rigidez e perda gradual da mobilidade. A dor noturna é geralmente o primeiro sinal, seguida por limitação dos movimentos e recuperação lenta.

O que fazer de imediato

Evitar dormir sobre o ombro afetado, usar travesseiros para manter postura adequada, aplicar compressas frias ou quentes por períodos curtos e realizar alongamentos leves podem aliviar temporariamente a dor. Ajustar a postura durante o dia também é essencial para prevenir sobrecarga e inflamação.

É importante lembrar que hábitos simples, como fortalecer a musculatura do ombro com exercícios orientados por fisioterapeuta, podem reduzir o risco de lesões e aliviar sintomas noturnos. Além disso, atividades que promovem alongamento regular e mobilidade da articulação ajudam a prevenir rigidez e desconforto.

Se a dor persistir por mais de duas semanas, piorar ou limitar movimentos, a avaliação profissional é necessária. Fisioterapia precoce pode evitar complicações e até a necessidade de cirurgia, acelerando a recuperação.

Em casos em que a dor no ombro vem acompanhada de falta de ar, suor frio ou irradiação para o braço esquerdo, procure atendimento médico imediato, pois pode ser sinal de problema cardíaco. Reconhecer os sinais cedo e agir rapidamente é fundamental para preservar a saúde do ombro e manter a qualidade de vida.